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08/01/2013 às 21:50 por Tiago Abreu

Análise do CD Na Casa dos Profetas do grupo Trazendo a Arca

Confira a análise exclusiva do CD Na Casa dos Profetas, lançado e distribuído oficialmente pela CanZion Brasil, do grupo Trazendo a Arca.
Na Casa dos Profetas

Na Casa dos Profetas - Trazendo a Arca

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Após uma curta década de carreira, quando viveu múltiplas alegrias, tristezas e polêmicas o Trazendo a Arca continua seguindo em frente com maturidade e novos trabalhos. Após dois anos na Graça Music, agora o conjunto lançou no final de novembro de 2012, mais precisamente dentre os dias 25 e 28 o álbum "Na Casa dos Profetas" que, considerando todos os discos já lançados pela banda é o nono com um repertório inédito.

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Após a inesperada saída de Davi e Verônica Sacer, e mais recentemente de Ronald Fonseca, o Trazendo a Arca torna-se um quarteto. E este mesmo quarteto com a colaboração de Jamba e de outros músicos produz este disco, que na primeira audição percebe-se sua distinção das obras anteriores. "Na Casa dos Profetas" contém treze faixas, sendo a maioria de autoria do vocalista Luiz Arcanjo e do ex-produtor musical e tecladista Ronald Fonseca. Além do mais, é um disco de grande aclamação do público, chegando a vender toda a primeira remessa nas primeiras semanas e ser o assunto mais comentado no Twitter em nível mundial.

O disco inicia-se com Celebrai. Como o título sugere, é uma canção festiva que convida o ouvinte a se animar e adorar a Deus com toda sua força. É a partir desta música que nota-se um novo Trazendo a Arca: Uma sonoridade relativamente crua, com uma forte presença do baixo com riffs marcantes da guitarra e uma bateria tão aparente como nunca na história do grupo. Aqui nota-se que os teclados estão em segundo plano e os vocais de apoio também.

Ao contrário da faixa anterior, Na Casa dos Profetas, a faixa título do trabalho possui uma presença maior do teclado. Destacam-se, instrumentalmente nesta canção as divisões para cada instrumento e a sonoridade da guitarra executada por Isaac Ramos. Há de se elogiar o arranjo do baixo na primeira parte da canção.

Kabod, escrita por Luiz Arcanjo destaca-se pela sonoridade da bateria, executada por André Mattos. Sendo a canção, que em minha opinião tem o melhor arranjo do disco possui uma divisão igualitária para os instrumentos, até mais que a anterior. Não há como não elogiar a execução do baixo por Deco Rodrigues. A letra é de fácil aprendizado, versando sobre a glória de Deus. Luiz Arcanjo interpreta-a de forma positiva, principalmente no final com a "pressão" dos vocais de apoio e dos demais instrumentos.

A quarta faixa, Isaías 45 lembra as canções mais antigas do grupo, versando sobre prosperidade e promessas de Deus. É uma balada, que instrumentalmente lembra a canção "Te Busco Ansiosamente" do disco Salmos e Cânticos Espirituais e "Invoca-Me" de Pra Tocar no Manto e é bem equilibrada, tendo como aspecto positivo a presença do violão no refrão, mas negativamente com a pouca presença do teclado, que daria um brilho a mais na faixa.

Tu És Fiel é a primeira dentre as faixas mais lentas do repertório. Sendo uma canção de gratidão a Deus, aqui se notam os detalhes dos riffs da guitarra. Um ponto positivo nesta canção é o peso que ela vai ganhando instrumentalmente, chegando ao seu ápice no refrão.

Dentre as canções mais lentas, Fala Comigo é em minha opinião a melhor de todas. Luiz Arcanjo aqui se destaca tanto como intérprete e letrista, trazendo em sua composição uma música fácil de aprender, mas que tenta ao máximo, e com sucesso fugir dos clássicos clichês do louvor congregacional brasileiro, trazendo uma letra de entrega, mas sem meras repetições. "Tu és o grande Eu Sou, que fala no fogo, o mar se acalma ao som da Tua voz, preciso Te ouvir, eu quero Te obedecer, uma palavra e tudo se transformará".

O segundo e último single do álbum é Graça, uma canção que em minha opinião particular é uma ponte entre o novo Trazendo a Arca e o novo. Aqui o piano ressurge na introdução de forma virtuosa, até a chegada das guitarras. Apesar de ser uma canção lenta, tem o seu brilho. Destaque também para a interpretação sentimental de Luiz Arcanjo.

Quero Ser Como Tu segue fielmente à proposta letrista do disco, anunciada pelo Trazendo a Arca: letras de adoração extrema. Ser mais parecido a Deus nas atitudes seja qual for à dificuldade é o foco desta música, que segue o ponto mais intimista do álbum. Destaque para o arranjo de cordas.

A nona canção, Minha Inspiração é a única versão deste disco e a terceira de toda a história do Trazendo a Arca. Contando com a participação vocal e autoral de Marcos Brunet, é mais uma canção de entrega neste disco. Porém, ao ouvir senti falta de algo a mais na canção, principalmente pelo tom da canção que a meu ver ficou alta demais para o vocalista Luiz Arcanjo.

Canção pra Tua Glória é uma canção de grande peso no repertório. Vocais de apoio bem posicionados e interpretados e um arranjo de cordas leve e que vai ganhando destaque ao longo da canção. Os riffs da guitarra estão agradáveis. Assim como a canção Fala Comigo, Canção pra Tua Glória evita ao máximo repetição, o que vejo como um ponto muito positivo.

Uma introdução um pouco diferente, A Bênção de José dá aquele ar de diferença nos arranjos das canções anteriores. Agradei-me do arranjo de cordas combinado ao som leve da bateria e dos violões, lembrando vagamente "Toca na Rocha" do álbum Pra Tocar no Manto. Os vocais de apoio no refrão deram um brilho na canção.

Olhando por pontos instrumentais, Magnífico Deus é uma canção muito bem arranjada, com riffs bem característicos e uma sonoridade agradável por parte do baixo. Luiz Arcanjo interpreta a canção de forma excelente, porém a letra da canção peca em ser muito repetitiva, algo muito comum no gospel tupiniquim.

Sendo um espontâneo ou canção bônus, Nós Queremos Trazer a Tua Arca é ligada a canção anterior. É uma faixa agradável para se interagir com a igreja, principalmente por mesclar celebração com adoração. Os riffs da guitarra e a bateria mais uma vez destacam-se no instrumental, e os vocais de apoio são tão aparentes quanto antigamente.

Deixo aqui minhas considerações finais nos pontos instrumentais, vocais e letristas do CD Na Casa dos Profetas. O primeiro detalhe que se nota é a baixa presença do teclado, algo que para mim, antes de ouvir este álbum soaria como insustentável. Porém mudei meu conceito ao ouvir esta obra. Neste disco o Trazendo a Arca mostrou-se com sua experiência musical cumprir o conceito de reinventamento. O baixo está mais presente e notável como nunca com arranjos diferentes, a bateria cresceu grandemente explorando a capacidade de André Mattos e a guitarra segue o mesmo caminho que demonstrava no álbum Live in Orlando, em que ganhava espaço. O teclado, que sempre foi o destaque instrumental do grupo agora dá espaço a outros instrumentos. Normalmente neste ponto o trabalho soa estranho ao ouvinte, mas é necessário e muito bem-vindo que novidades sejam apresentadas, pois afinal "a fila anda". Também posso dizer que, analisando este disco a sonoridade do Trazendo a Arca está cada vez mais próxima a elementos do pop rock e até do rock progressivo, sendo a falta de um arranjo de metais a causa para este efeito já notado desde o último trabalho inédito de forma positiva.

No ponto letrista, acredito que na maior parte o Trazendo a Arca trouxe músicas diferentes, trazendo alguns temas poucos explorados. Porém a repetição de frases, principalmente nos refrões de algumas canções pode ter enfraquecido o repertório, principalmente no fato de ter sido mais de duas canções em que este recurso foi utilizado. Porém este mesmo recurso pode ter sido utilizado para manter uma essência congregacional neste trabalho. Os vocais de apoio aos poucos estão desaparecendo, e a sensação ao ouvir é que a tendência é esta. A canção que mais representou bem este fato é a canção Fala Comigo. Comparado ao álbum Entre a Fé e a Razão, em Na Casa dos Profetas surge um Luiz Arcanjo com um vocal mais forte e menos acanhado.

O projeto gráfico de Na Casa dos Profetas foi produzido por David Cerqueira, como tradicionalmente o grupo escolhe. A capa frontal é de bom gosto, sendo conceitual e criativa. Porém é encontrado um erro na numeração de duas faixas, podendo confundir o ouvinte. Curiosamente ou não, este tem sido um erro cada vez mais frequente nos álbuns lançados pela gravadora CanZion Brasil, que precisa estar mais atenta a estes pontos para que o público não seja tão prejudicado.

Considerando o que foi dito nesta análise, o álbum merece oito pontos e meio de dez e está aprovado, sendo provavelmente um dos melhores álbuns de música cristã brasileira do ano de 2012.

fonte: Missão Gospel

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