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29/10/2012 às 20:35 por Tiago Abreu

Entrevista com Moisés di Souza, ex-integrante da Banda Azul

Em entrevista ao Missão Gospel, Moisés di Souza comenta como foi o início da Banda Azul, uma das precursoras do rock cristão brasileiro.

Moisés di Souza

Moisés di Souza

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Ele é um dos precursores do movimento gospel e ex-integrante da Banda Azul. Baixista, produtor musical e compositor, já trabalhou com bandas e músicos como Luiz de Carvalho, Katsbarnea, Cristina Mel, Banda e Voz, dentre outros. Atualmente é pastor. E é com ele, que gentilmente dispôs tempo para esta entrevista que conversamos aqui, onde você vai conhecer um pouco mais a história de Moisés di Souza.

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Missão Gospel: Como se deu sua conversão?
Moisés de Souza: Antes de tudo, um abraço a você leitor e a cada um dos colaboradores deste site, Missão Gospel.
Sou nascido em Belo Horizonte, e filho de pastores das Assembleias de Deus (Pr. Geconias Rodrigues e Floricena Alves). Como nasci no evangelho, temos a imprensão de já nascermos convertidos. Mas é uma longa história, onde no meio de uma familia de 13 filhos músicos Deus me escolheu para ter este ministério musical definido. Ora, eu tocava na igreja, ora na noite. Até que um dia, eu saí de um culto de Santa Ceia e fui tocar numa boate. De repente, apareceu uma mulher na minha frente e me perguntou se meu nome era Moisés di Souza. Eu tremendo e sem graça respondi que sim. Naquela hora senti o Espirito Santo me dizendo: você esta se contentando com pouco, tenho algo grande pra você. E assim começou a minha trajetória no meio cristão como músico.

MG: A banda Azul, fundada pelo pioneiro Janires surgiu após a saída dele do Rebanhão. Como foi trabalhar com o Janires?
Moisés de Souza: Existe uma história mal explicada quanto ao Janires ser fundador da banda. A verdade é que eu, o Du Batera e o Guilherme participamos do Festsêmani em 1986 e ganhamos o festival naquele ano, com a música "Fala Poderoso que teu servo quer ouvir". Assim, logo depois, começamos a frequentar o Clubão, onde conhecemos o Du Guita, e veio a ser o guitarrista da banda que se chamava MPC. Logo depois o Janires vendo o potencial de cada um entrou para a banda como vocalista principal, nos dando a oportunidade de tornarmos a sua última banda. Trabalhar com Janires foi algo sensacional, pois com ele aprendemos a ser antes de artistas, discípulos. Isto fez e faz toda a diferença na minha vida. Mas tocar com ele foi o melhor presente que um músico pode receber em vida. Maravilhoso.

MG: Talvez o trabalho mais importante da banda Azul, até por uma questão histórica foi o disco "Espelho nos Olhos", lançado em 1988. Poderia contar detalhes técnicos da produção e como se deu o lançamento e a divulgação desta obra perante as fatalidades da época ocorridas com o Janires?
Moisés de Souza: É verdade, o trabalho mais importante do grupo. Devido ao seu alto teor poético e também pelo esforço envolvido por cada um de nós para que o álbum fosse concluído. Como cada um trazia experiências diferentes musicais, o álbum ficou recheado de novas harmonias e frases musicais, que adentrou os corações da moçada da época. Antes do disco ser prensado veio o falecimento do Janires que nos deixou a principio meio desorientados, mas o legado deixado pro Janires nos deu forças para continuar.

MG: O som do grupo foi revolucionário. Vários discos foram lançados após "Espelho nos Olhos", mas "Louvor, Louvores, Louvorzão" e "Festa no Céu" diferem bastante dos demais. Quais eram as propostas destes álbuns?
Moisés de Souza: Em 1990 eu era então o diretor artístico da gravadora que nos contratou; Bompastor. E como eu estava inserido dentro do momento tanto como artista e como produtor musical, vi que havia uma lacuna muito grande no meio, pois as músicas tradicionais que são chamadas de corinhos estavam sendo esquecidas pela nossa geração. Assim, como eu era o produtor, resolvi dar a ideia ao dono da gravadora, Sr. Elias de Carvalho, para gravarmos algo, que além de comercial, pudesse resgatar os valores cristãos das décadas passadas. Assim, surgiu o Louvorzão da Banda Azul. Quanto ao álbum Festa no céu, já foi um outro momento da música brasileira, eram muitas as influências que nós componentes trazíamos das noites mineiras, eu e o Rubinho meu irmão, que então se tornou tecladista da Banda Azul, resolvemos dar um novo tom aos arranjos e letras, o que foi bastante criticado a princípio, mas depois a juventude amou.

MG: Por que a banda Azul encerrou suas atividades em 1994?
Moisés de Souza: As relações interpessoais se não forem recicladas acabam por enfraquecer projetos. Nesta época 94, já estavamos bastante cansados da estrada musical e também, por que não dizer de nós mesmos... Houve muitas conversas paralelas, onde emocionalmente eu não estava bem, inclusive a perda da minha mãe. Mas aliado à isso houve outros fatores que não quero falar, pois causa muita conversa paralela, e o motivo de eu estar expondo aqui, não exatamente para este fim.

MG: Após o fim da banda Azul, você continuou a trabalhar como músico?
Moisés de Souza: Sim, sempre produzi eventos, shows, fui diretor das duas maiores rádios de BH, 97,3 FM e a 107 FM e tambem produzindo CDs, compondo e fazendo marketing político.

MG: Há de se destacar a contribuição de seu irmão na música cristã. O Ruben di Souza é um dos atuais produtores mais elogiados e requisitados. Como foi o início dele na área musical?
Moisés de Souza: O Ruben di Souza é meu irmão caçula e eu fui o responsável por introduzí-lo no meio musical. Eu sempre sentia que precisavámos de um segundo tecladista na banda, para dar suporte de harmonia, para que o Guilherme pudesse ter mais liberdade para cantar e comunicar. Com todas as informações que passei a ele, tanto musical quanto a relação artista e gravadora, ele se tornou esta referência que hoje é.

MG: Constantemente há críticos especializados e até músicos reconhecidos em nosso meio declarando que o movimento gospel se perdeu e tem caído na mesmice. Concorda com tais afirmações?
Moisés de Souza: Quanto aos críticos, não sei o que eles falam, pois às vezes levam o assunto muito para o pessoal e não são nada profissionais. Mas sinceramente acabo concordando com estas afirmações. Pois acho que nossa música gospel perdeu a razão de se chamar gospel e sim o que sempre deveria ser: evangélica.

MG: Em 2007 foi lançado o CD "Orkut" em sua carreira solo. Como foi a produção deste trabalho e o que ele representa na sua vida?
Moisés de Souza: O CD Orkut foi o terceiro álbum da carreira solo, sendo eles: Cores Vivas, 14 maiores sucessos da Banda Azul, e o Orkut. Mas este trabalho veio a solidificar o meu jeito de conduzir a minha música e também amadurecero meu jeito de compor.

MG: Qual foi o seu sentimento com a volta da banda Azul este ano com a formação reformulada?
Moisés de Souza: Acho que voltar uma banda que teve uma história tão rica no cenário cristão, tem que ter muita coragem, pois acho mais fácil empobrecer uma história do que melhorar a que já passou. Esta é minha opinião, como se diz, na lata.

MG: Quais são seus projetos musicais e ministeriais atuais?
Moisés de Souza: Estou com uma nova banda com o nome Holy Night, onde pego sucessos passados e faço releitura, com jeito de bandas de baile – um negócio que posso chamar de Vintage Praise. Que tal?

MG: Poderia citar alguns músicos com quem trabalhou como produtor musical?
Moisés de Souza: Trabalhei como produtor do Bozo, Patati-Patatá, Cristina Mel, Banda e Voz, Banda Kadesh, Livre Arbítrio, Katsbarnea, Grupo Prisma, Banda Azul, Armando Filho, Luiz de Carvalho e por aí vai.

MG: Como foi participar do projeto "Cores Vivas"?
Moisés de Souza: Foi muito desafiador, pois não era só o fato de tocar e cantar. Éramos um grupo de artistas de ponta dentro de um projeto gospel. Os metais eram do Jota Quest, o sax; Chico Amaral do Skank, o batera Xandi Tamietti do Pato Fu... Ruben di Souza nos arranjos e teclados, Márcio Batista percussionista, Dalton Palmieri na guitarra e eu Baixo e voz. Pra mim, um timaço.

MG: Gostaríamos de agradecê-lo pela entrevista concedida. Para terminar, poderia deixar um recado aos leitores do Missão Gospel?
Moisés de Souza: Se você leitor tem um sonho, não desanime, pois a persistência faz grandes nomes aparecerem, mesmo que o talento seja pequeno o que interessa é acreditar. Atualmente, sou pastor na Getsêmani e Presidente do Clube de Oração do Brasil. Nos dê o privilégio de conhecer o que ando fazendo moisesdisouza.blogspot.com.br ou pelo email pr.moisesdisouza@clubedeoracaodobrasil.com.br.

fonte: Missão Gospel

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2 Comentários
Olavo Leite
30/10/2012 às 09h58
Me orgulho muito do meu amigo e irmão Moises Di Souza, de sua história, trajetória e ministério. Parabéns meu amigo e irmão, Deus te descreve sorrindo. Abraços
Marlúcia Alves de Souza
30/10/2012 às 00h17
Muito em boa hora esta entrevista com Pr Moisés di Soua!!! A música Gospel, o estilo da Banda Azul, é incrível, fala ao coração do jovem de uma maneira tão à frente do tempo, ja fazia isso à 20 anos atras... Uma linguagem que todos compreendem...Parabéns por tão boa entrevista...saudades da Banda Azul!!!
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